No fim da Idade Média, Luca Pacioli, um frei franciscano, editou em Veneza um sistema mudou completamente o entendimento de contabilidade. O Método das Partidas Dobradas, também chamado de Método Veneziano,

Esse sistema-padrão, até hoje é um dos mais utilizados por organizações e empresas no registro contábil das transações financeiras.

Com apenas um capítulo tratando do tema, ele difundiu esse método no mundo todo. Embora não tenha sido o inventor, já que o sistema estava sendo usado antes, Pacioli marcou o início da contabilidade moderna, e por isso é considerado o pai da matéria.

Leia este  artigo até o fim e descubra como esse método funciona e como deve ser utilizado em uma organização.

Método de partidas dobradas

Como é o método de partidas dobradas?

O  método de partidas dobradas está baseado na compensação: para cada débito existente, um crédito deve ser tomado como correspondente. Um evento pode ter vários débitos e créditos, de modo que haja um equilíbrio entre ativos e passivos. Isso faz com que haja um balanço patrimonial mais seguro, e as despesas e receitas passam a ser mais facilmente trabalhadas na demonstração do resultado do exercício.

Essas vantagens demonstram porque o sistema de partida simples está sendo abandonado em detrimento do dobrado. O método criado por Luca Pacioli, em 1494, e exposto na publicação “Coleção de Conhecimentos de Aritmética, Geometria, Proporção e Proporcionalidade”, é tão eficiente que é considerado um dos pilares da contabilidade. Sua criação foi rapidamente adotada por profissionais, devido à clareza e à qualidade da função.

Fundamentação teórica

Para entendermos as partidas dobradas, precisamos  retomar alguns conceitos da contabilidade:

O “Patrimônio” é composto por bens e direitos, e corresponde ao ativo, passivo e o capital próprio, ou patrimônio líquido (PL). Todos esses elementos mantêm certo equilíbrio (ou seja: ativo é igual passivo mais o PL).

O ativo é a natureza devedora e o passivo mais o PL é natureza credora. Isso é muito importante para entender o conceito dos métodos de escrituração dobrada, porque o raciocínio para as operações propostas pela contabilidade não é diferente.

O entendimento por trás do conceito está na premissa de que variáveis são úteis por representarem melhor as características das operações. Dessa forma, as empresas e organizações utilizam contas para registrar os resultados dos processos e da condição financeira como um todo.

São usadas pelo menos duas contas, que representam as variáveis para cada transação financeira. Ambas demonstrarão um aspecto particular do negócio como um valor monetário. Daí percebe-se que o total de débitos é igual ao total de créditos.

Portanto, para cada aplicação de algum item do patrimônio, se tem uma origem específica. Esse é o raciocínio proposto pelo método das partidas dobradas.

Apesar de parecer complexo, trata-se de um método simples quando nos acostumamos com a lógica do processo. Com os exemplos a seguir tudo ficará mais claro.

Como o método das partidas dobradas funciona na prática?

Normalmente uma transição possui duas entradas, sendo uma na conta de crédito e outra na de débito. Daí advém o nome de “dobrado”.

A base da aplicação é a seguinte: o valor total lançado nas contas a débito, em cada um dos lançamentos, precisa ser exatamente igual ao total lançado em contas a crédito.

Não existe um devedor que não possua, como correspondente, um credor. Em outras palavras, todo crédito possui um débito de igual valor, e vice-versa. Quando um lado muda, o outro deve, necessariamente, mudar.

Veja como aplicá-lo e usá-lo na prática?

Exemplo 1: imagine uma empresa que precisa adquirir produtos para completar o seu estoque. A compra foi feita a prazo, e custou, ao todo, R$ 1 mil. Na hora do lançamento, é adotado o método das partidas dobradas. Portanto, haverá um débito na conta de estoque e, na conta de fornecedores, um crédito. Ficará assim:

  • D – 1 mil reais (Estoque)
  • C – 1 mil reais (Fornecedores)

Exemplo 2: agora vamos supor que a empresa compre mercadorias à vista para a revenda, no custo de R$ 500. Ela terá que tirar dinheiro para pagar, e, então, deverá pôr a mercadoria na conta “estoque”. Podemos escrever o lançamento da seguinte maneira:

  • Estoque: Débito = Quinhentos reais
  • Caixa: Crédito = Quinhentos reais

Há outras maneiras de se lançar, veja:

  • 1 débito + 1 crédito
  • 1 débito + Vários créditos
  • Vários débitos + 1 crédito
  • Vários débitos + Vários créditos

Disso podemos concluir que:

  • Não existe um crédito sem um débito.
  • Não existe um débito sem um crédito.
  • O saldo devedor é igual ao saldo credor.
  • Ativo é igual a passivo mais Patrimônio Líquido.

Existe um modo esquemático para facilitar a transcrição. Ele divide as contas, do lado direito há as entradas de crédito e no lado esquerdo os débitos.

O modelo é chamado de “razonete”, e é muito usado por estudantes de contabilidade e até contadores. Essas contas também são chamadas de “contas T”, pois o formato da tabela lembra a letra T.

O método das partidas dobradas deve ser utilizado obrigatoriamente pelos gestores públicos no Brasil. Isso está estipulado no artigo 86 da Lei 4.320 de 1964, segundo o qual toda escrituração sintética das operações financeiras e patrimoniais devem ser efetuadas pelo método.

Conclusão

As partidas dobradas são mais úteis do que o método de partidas simples por trazer informações mais relevantes e precisas para as organizações. Cada ativo tem como correspondente um passivo, ou seja, para cada crédito existe um débito correspondente, e vice-versa.

O débito aumenta o ativo, diminui o passivo e diminui o patrimônio líquido. E o crédito aumenta o passivo, aumenta o patrimônio liquido e diminui o ativo. Isso demonstra, de forma prática, a utilidade de se utilizar as partidas dobradas na empresa.

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